Levantei e vesti meu melhor biquíni, naquele dia tinha certeza que ia conhecer o amor da minha vida (todos os dias eu tinha a mesma sensação, mas que culpa eu tenho? sou de Peixes, sou sonhadora e muito lerda por natureza. Li meu horóscopo matinal que me dizia que hoje era o grande dia. Acho que esse horóscopo estava quebrado, já que nos ultimos 17 anos, meu horóscopo sempre dizia: HOJE É O GRANDE DIA. e a coisa mais emocionante que aconteceu na minha vida foi o grande dia que bati de cara em uma porta de vidro e quebrei o nariz. Por que horóscopos não podiam ser específicos e falar: HOJE É O GRANDE DIA, e em letras pequenas continuas: que você irá rasgar o queixo. Faria mais sentido.
Fui para o clube, sozinha mesmo, adorava fazer isso, podia tomar Sol o dia inteiro e só sair de lá quando a ambulância vinha me buscar toda torrada e com insolação. Mas naquele dia meu horóscopo tinha acertado. Tinha quase certeza que ia achar o amor da minha vida. Ele passou por mim todo molhado com uma sunga brance, o que despertou pensamentos muito... inadequados pra minha idade. Me senti uma pervertida. E em uma cena de Beverly Hills 90210. Um moreno maravilhoso daqueles só podia ser um sonho, mas como meu horóscopo me afirmou que aquele era o grande dia, resolvi investir.
Levantei, ajeitei a parte de cima do biquini de forma que ficasse com muito volume,dividido no meio, encolhi a barriga e andei devagar pra não balançar meu bumbum.
Puxei um banquinho na mesa da lanchonete e mandei o meu melhor sorriso.
-Ahm..oi - ele me olhou meio assustado
-Oi. Tudo bem?
Conversamos essas formalidades por alguns minutos, até que o assunto mudou, nos apresentamos (o nome dele era Rafael. olha que lindo, R. e Rafa) ele fazia faculdade, trabalhava meio período e morava com os pais (que gracinha).
Em dois minutos comecei a pensar que ele era sim o amor da minha vida. Claro que era, lindo, legal, e sem pelos na barriga (e fiz a pergunta principal e pra minha sorte ele me jurou que não era gay).
Eu já começava a suspirar em cada palavra que ele dizia, e meu olhar já era de alguém extremamente apaixonada.
Resolvemos voltar pra minha mesa e pedir mais águas de coco, que emocionante!
Sentamos ali e bebemos mais do que minha bexga poderia suportar, mas eu não ligava, não podia sair dali de jeito nenhum, mesmo que estivesse morrendo de vontade de fazer xixi, e já estivesse me contorcendo pra segurar. Foi quando ele me chamou pra ir pra um lugar mais escondido, e mesmo com dificuldade de andar e uma barriga de grávida eu fui, afinal eu sou muito esperta, e sabia exatamente o que iria acontecer.
Sentei em uma bancada, com as pernas cruzadas suando frio, com medo de não aguentar. Mas não podia de jeito nenhum sair dali e quebrar o clima.
Ele veio se aproximando, se aproximando, falando coisas fofas, e falando de como meu biquini era bonito e como eu era atraente. Eu devia ter falado: são seus olhos. Mas não conseguia nem abrir a boca.
-E. eu... queria te falar que... conhecer você foi...- entre as pausas ele beijava minha buchecha, meu pescoço, e eu queria muito muito poder aproveitar o momento, mas aquela maldita vontade não me deixava pensar em outra coisa.
Depois de uma enrolaçãozinha, ele entrelaçõu os braços no meu pescoço e me beijou, intensa e deliciosamente, me fazendo relaxar, relaxar até demais.
Na hora que Rafa descruzou minhas pernas, não tinha ideia da força que ele tinha, me puxou contra seu corpo, de um jeito bruto, forte o suficiente pra me fazer soltar um gemido.
Um gemido de desespero na verdade, já que com esse movimento não aguentei, e em alguns segundos minha vontade de fazer xixi estava passando e eu ouvia pingos caindo no chão.
A última coisa que ouvi ele falar foi um palavrão muito muito MUITO feio, enquanto pulava pra se secar, mas já era tarde, a sunga já tinha uma manchinha (manchona na verdade) que ficava evidente que quem teve um acidente urinário tinha sido ele.
-Foi um...acidente!- tentei gritar, mas em vão, porque mais uma vez ele fez um gesto obceno com o dedo do meio, e continuou andando gritando: ECA ECA ECA.
Continuei sentada ali, com a bexiga vazia, e o coração também, e com a cara no chão.
Daquele dia em diante eu percebi que, quando a gente não fala o que tá desagradando, noss ferramos, ou nos molhamos e que dali pra frente eu ia sempre ser sincera com meus namorados em potencial. AH que se foda, eu aprendi a não beber água de coco antes de ir beijar na boca um gato sarado, porque eu ia acabar sentada toda mlhada ouvindo só os pingos caindo no chão, e os palavrões mais feios do mundo.
Ass:

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