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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Foi um acidente!

Acordei num Sábado de manhã e o dia estava maravilhoso. Parece até coisa de filme né? Fim de semana ensolarado, combina totalmente com clube. Com praia, com qualquer coisa que envolva água, e cadeiras de Sol, e água de coco de preferência beeeeem gelada, e claro a companhia de um gato maravilhoso bronzeado e malhado de preferencia. Não que eu pudesse falar alguma coisa, com essas celulites que infernizam meu bumbum como que eu poderia reclamar de uma barriguinha meio mole?
     Levantei e vesti meu melhor biquíni, naquele dia tinha certeza que ia conhecer o amor da minha vida (todos os dias eu tinha a mesma sensação, mas que culpa eu tenho? sou de Peixes, sou sonhadora e muito lerda por natureza. Li meu horóscopo matinal que me dizia que hoje era o grande dia. Acho que esse horóscopo estava quebrado, já que nos ultimos 17 anos, meu horóscopo sempre dizia: HOJE É O GRANDE DIA. e a coisa mais emocionante que aconteceu na minha vida foi o grande dia que bati de cara em uma porta de vidro e quebrei o nariz. Por que horóscopos não podiam ser específicos e falar: HOJE É O GRANDE DIA, e em letras pequenas continuas: que você irá rasgar o queixo. Faria mais sentido.
     Fui para o clube, sozinha mesmo, adorava fazer isso, podia tomar Sol o dia inteiro e só sair de lá quando a ambulância vinha me buscar toda torrada e com insolação. Mas naquele dia meu horóscopo tinha acertado. Tinha quase certeza que ia achar o amor da minha vida. Ele passou por mim todo molhado com uma sunga brance, o que despertou pensamentos muito... inadequados pra minha idade. Me senti uma pervertida. E em uma cena de Beverly Hills 90210. Um moreno maravilhoso daqueles só podia ser um sonho, mas como meu horóscopo me afirmou que aquele era o grande dia, resolvi investir.
   Levantei, ajeitei a parte de cima do biquini de forma que ficasse com muito volume,dividido no meio, encolhi a barriga e andei devagar pra não balançar meu bumbum.
   Puxei um banquinho na mesa da lanchonete e mandei o meu melhor sorriso.
-Ahm..oi - ele me olhou meio assustado
-Oi. Tudo bem?
Conversamos essas formalidades por alguns minutos, até que o assunto mudou, nos apresentamos (o nome dele era Rafael. olha que lindo, R. e Rafa) ele fazia faculdade, trabalhava meio período e morava com os pais (que gracinha).
Em dois minutos comecei a pensar que ele era sim o amor da minha vida. Claro que era, lindo, legal, e sem pelos na barriga (e fiz a pergunta principal e pra minha sorte ele me jurou que não era gay).
Eu já começava a suspirar em cada palavra que ele dizia, e meu olhar já era de alguém extremamente apaixonada.
Resolvemos voltar pra minha mesa e pedir mais águas de coco, que emocionante!
Sentamos ali e bebemos mais do que minha bexga poderia suportar, mas eu não ligava, não podia sair dali de jeito nenhum, mesmo que estivesse morrendo de vontade de fazer xixi, e já estivesse me contorcendo pra segurar. Foi quando ele me chamou pra ir pra um lugar mais escondido, e mesmo com dificuldade de andar e uma barriga de grávida eu fui, afinal eu sou muito esperta, e sabia exatamente o que iria acontecer.
Sentei em uma bancada, com as pernas cruzadas suando frio, com medo de não aguentar. Mas não podia de jeito nenhum sair dali e quebrar o clima.
Ele veio se aproximando, se aproximando, falando coisas fofas, e falando de como meu biquini era bonito e como eu era atraente. Eu devia ter falado: são seus olhos. Mas não conseguia nem abrir a boca.
-E. eu... queria te falar que... conhecer você foi...- entre as pausas ele beijava minha buchecha, meu pescoço, e eu queria muito muito poder aproveitar o momento, mas aquela maldita vontade não me deixava pensar em outra coisa.
Depois de uma enrolaçãozinha, ele entrelaçõu os braços no meu pescoço e me beijou, intensa e deliciosamente, me fazendo relaxar, relaxar até demais.
Na hora que Rafa descruzou minhas pernas, não tinha ideia da força que ele tinha, me puxou contra seu corpo, de um jeito bruto, forte o suficiente pra me fazer soltar um gemido.
Um gemido de desespero na verdade, já que com esse movimento não aguentei, e em alguns segundos minha vontade de fazer xixi estava passando e eu ouvia pingos caindo no chão.
A última coisa que ouvi ele falar foi um palavrão muito muito MUITO feio, enquanto pulava pra se secar, mas já era tarde, a sunga já tinha uma manchinha (manchona na verdade) que ficava evidente que quem teve um acidente urinário tinha sido ele.
-Foi um...acidente!- tentei gritar, mas em vão, porque mais uma vez ele fez um gesto obceno com o dedo do meio, e continuou andando gritando: ECA ECA ECA.
Continuei sentada ali, com a bexiga vazia, e o coração também, e com a cara no chão.
Daquele dia em diante eu percebi que, quando a gente não fala o que tá desagradando, noss ferramos, ou nos molhamos e que dali pra frente eu ia sempre ser sincera com meus namorados em potencial. AH que se foda, eu aprendi a não beber água de coco antes de ir beijar na boca um gato sarado, porque eu ia acabar sentada toda mlhada ouvindo só  os pingos caindo no chão, e os palavrões mais feios do mundo.    



                                      
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Nossa que cabelo... bonito

Sentei no bar como uma verdadeira dama e olhei o cardápio de drinques. Tinha que aprender a beber alguma coisa de adulto já que em alguns meses seria meu aniversário de 18. Decidi que ia sair do tradicional (suco em pó com gelo e vodca) e aprender a beber como gente grande. O cardápio era enorme e as pessoas nas mesas atrás de mim pareciam gritar me desconcentrando totalmente da minha leitura. Como eu disse, eram muitos nomes pra ler, então resolvi pedir um aleatoriamente e voltar logo pra minha mesa.
-Dry Martini por favor - Falei como se conhecesse aquela bebida há séculos, apesar de o garçom parecer ter percebido que eu não fazia ideia do que ia beber.
   Continuei lendo o cardápio até que minha bebida chegou, mas ao invés de voltar para a mesa continuei sentada naquele banquinho giratório, descascando alguns amendoins. Dei o primeiro gole. CREDO, pensei. Mas como uma pré-adulta continuei tomando com uma cara maravilhada. Terminei o primeiro e vasculhei mais o Menu na tentativa de fazer uma escolha sábia. Pedi uma vodca de pêssego com gelo.
   De repente um garoto muito do bem vestido, com um perfume que dava pra ser sentido de longe sentou ao meu lado:
-Pêssego ahm?! Minha favorita.
  Dei um sorriso sem graça
-Vinícius, muito prazer. - Ele esticou a mão como se ainda vivesse nos anos 40.
-R. -apertei sua mão. Muito macias, lisinhas, poderia apertá-las a noite toda.
-Uma dose de pêssego por favor. - ele pediu ao garçom que se aproximava.
Conversamos por alguns minutos enquanto minha vodca e a dele não acabavam. Ele tinha um sotaque impecável, dentes brilhantes, e os olhos pareciam reluzir com a luz do lugar.
Ele me contou que já tinha viajado para muitos lugares, elogiou minha blusa e falou que meu cabelo era lindo, além disso falou que eu parecia mais jovem do que era, e meus pés pareciam que a qualquer momento iam parar de tocar o chão.
-Vamos pedir outra? De que dessa vez?
-Deixa eu ver aqui...-peguei o cardápio -uma de kiwi.
-Duas de kiwi por favor. Então R. me conta mais, o que você faz da vida?
Contei da escola que acabara de terminar, da faculdade que ia começar em alguns meses. Ele me contou que já fazia faculdade há um tempo e que morava com um amigao que ele estranhamente chamou de 'parceiro'.
Bebemos a vodca de kiwi, e eu já começara a rir alto de tudo que ele falava. Minha língua começou a adormecer e meus olhos pesavam, mas eu me sentia extremamente feliz. Tinha certeza que naquela noite eu iria fazer o que mais precisava: beijar na boca. Isso era ótimo. Na minha mente depois do nosso beijo apaixonado ele me chamaria pra sair no dia seguinte, saíriamos por um tempo, namoraríamos, casaríamos, e em breve ele estaria trocando as fraldas dos nossos bebês.
Pedimos um drinque que não lembro bem o nome, mas era rosa em cima e verde cintilante na parte de baixo. Já estava ficando alterada, mas mesmo assim ainda conseguia pensar com muita clareza.
-Porque o que eu penso sobre desmatamento é...- Vinícius me falava sobre sua posição política ambiental enquanto eu analisava os traços da sua boca, formava um coração.
-Mas se algum dia eu tivesse que escolher entre vestir...-Ué, ele já tinha mudado de assunto? O tempo passava tão rápido, e eu nem tinha percebido que já eram quase 2 da manhã.
-R. nós temos tanto em comum! Estou amando ter conhecido você. Espero que sinta o mesmo.
Eu tinha que tomar alguma atitude, já estava boa o suficiente pra falar para V. dos meus sentimentos que haviam acabado de nascer. Mal podia esperar. Afinal ele sentia o mesmo!
Fui aproximando meu banco giratório do dele, e sorria a cada palavra que ele dizia, coloquei minha mão na sua perna e ele me olhou. Sem falar nada fui aproximando meu rosto do dele enquanto ele continuava a falar, nervosismo, pensei. Continuei a chegar perto, meu coração já estava disparado e meu beijo seria certeiro, o caminho direto para o barco do amor com destino pra minha Lua de Mel.É AGORA É AGORA É AGORA. pensava com euforia.
Quando minha boca estava há alguns milímetros da dele uma voz atrás de nós gritou:
-Meu amor, me desculpa a demora! -Olhei para trás, e um cara de quase 2 metros olhou pra mim.
-Caralho, quem é esse estragando meu momento? Ou eu estou muito bêbada pra não reconhecer meu próprio namorado ou ele que está. -Falei meio enrolado para V.
Ele se afastou de mim aos poucos, e com um sorriso puxou o armário-homem que estava atrás de mim:
-R. esse é Deco. Meu companheiro de apartamento.
Houve uma pausa. Ufa e eu pensando que poderia ser...
-E meu namorado. - O armário completou fazendo meu queixo cair
-Desculpe, acho que estou alta demais. O que? -Perguntei estática.
-É, meu namorado R. você não sabia? Achei que tinha ficado claro. Somos  gays. Agora temos que ir, mas foi muito bom conversar com você. - E me deu dois beijinhos na buchecha.
Eu fiquei lá, parada olhando pro copo vazio. Gay. Claro. Como não pensei nisso?
-É amiga... Agora só me resta você...-conversei em vão com o copo de vodca vazio.-Garçom, me ve uma dose de tequila. Uma não. Duas. Se tem alguém que nunca vai me abandonar é o José Cuervo.
ÊÊ zé. E eu tentando te trocar pra virar gente grande.
Passei o resto da noite na companhia do meu travesseiro, em casa. Da próxima vez que um homem elogiar meu cabelo vou fazer uma pergunta bem direta que pode mudar muito as coisas: Você é gay?






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