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sábado, 28 de maio de 2011

Festa da faculdade não é pra ensino médio.

  Primeira festa do ano. UHUL, não podia nem acreditar que realmente iria à uma festa com pessoas que já estava na faculdade,minha primeira house party! mesmo que eu ainda não estivesse de fato na faculdade (mas era só uma questão de tempo até o resultado sair e eu me orgulhar...ou não) nenhum daqueles gatinhos mais velhos precisava saber disso. Nem o gatinho com quem eu estava saindo há algumas semanas, o Fê .Ele era perfeito, a gente havia se conhecido através de uma amiga, prima dele, que eu fiz jurar (na verdade eu implorei) que não contaria que eu não era universitária coisa nenhuma, e que o número do meu sutiã era 38 ao invés de 44, o que é INACEITÁVEL. Ele tinha 20 anos, fazia educação física, e me jurou que era virgem! Eu só precisava de um bom sutiã de enchimento e batom vermelho. Isso. Batom vermelho, era o que as garotas mais velhas usavam, não era? Faltava só uma semana até eu vestir minha melhor fantasia fake e fingir que era parte do grupo de universitários, então tinha que começar a planejar tudo.
  Passei a semana sem comer nada além de brócolis, alface e frutas, pra caber no meu melhor vestido, que por um acaso era o mesmo que meu pai NUNCA me deixava usar e meus argumentos sempre eram insuficientes, mas eu já havia planejado tudo, na hora da festa ele estaria no quarto, então eu entraria, colocaria a cabeça pra dentro, daria tchau, mandaria um beijo e falaria eu te amo não volto tarde, você é o melhor pai do mundo (essa parte eu não posso negar) e ele não poderia me impedir. Minha mãe estaria na sala, pintando as unhas, de roupão e máscara na cara, falaria que eu estava linda, e pronto., Minha fuga seria completa. Toda sexta era assim, meu pai no quarto, minha mãe na sala, não entendo porque, já que a casa fica completamente livre...Livre pra eles pularem juntos no sofá, cantarem músicas dos anos 80 com o som no último volume usando escovas de cabelo como microfone, comer biscoito em cima da cama e não ficarem com raiva dos farelos...Sabe, coisas que EU sempre quis fazer, mas eles nunca deixariam.
  Sexta de manhã mal podia me conter, mas passei o dia vendo desenho, e sonhando com uma barra de chocolate gigante, que me deixaria toda melada, hum...bombons recheados, um pedação de pizza, bolo de chocolate, sorvete de chocolate, CHURROS DE CHOCOLATE! Minha boca salivava, mas eu tinha que me conter, ou então minhas celulites ficariam em evidencia, e Fê não iria querer ver nada daquilo, ainda mais na hora H... siim, hora H! Estávamos quase levando nosso relacionamento ao próximo nível!e eu tinha certeza que ele era o amor da minha vida, o meu príncipe encantado, imaginava latas penduradas no nosso carro escrito JUST MARRIED!
  Ele passaria às 22:00 pra me pegar e depois me levaria de volta às 3:00, o que me dava 5 horas pra fazer tudo direitinho, mas não conseguia parar de pensar se não era pouco tempo, já que pra me informar havia assistido uns filmes na internet, e parecia que 5 horas não seriam suficientes pra ele! Calma R. calma, seria suficiente sim.
  Comecei a me arrumar, coloquei minha calcinha mais sexy (uma branca com bolinhas rosa que parecia um shortinho com uma marca de beijinho no bumbum), um sutiã com algumas folhas de papel toalha (36 folhas pra falar a verdade), me olhei no espelho e UAU como eu estava turbinada!
  -Uau, se eu fosse um garoto, não resistiria-repetia pra mim enquanto apertava o enchimento e treinava algumas caras e bocas pra melhorar minha performance. -oh Fê, como você é bom nisso. Oh Fê, que coisa maravilhosa, UAU UAAAAAAAAAAAU!- Ok, talvez eu não fosse usar nenhuma dessas frases de efeito, mas nunca se sabe.
  Procurei um batom vermelho nas coisas da minha mãe, e enquanto tirava os bobs do cabelo (porque segundo minha revista favorita, cachos são sexys e convidativos para uma noite inesquecível) procurava algum tutorial no youtube para passar batom vermelho sem borrar nos dentes. Depois de pronta o make, olhei pro meu vestido, suspirei e disse:
  -Não me decepcione!
  Deitei na cama, abri o ziper do vestido e o fui colocando enquangto recitava um mantra em alto e bom som:
  -Você vai servir em mim, você vai servir em mim, você vai servir em...-prendi minha respiração enquanto terminava de fechar o zíper lateral com certa dificuldade- MIM! UHUUUUUUUUUUUUUUL- minha empolgação não pode ser vista pelos meus movimentos mínimos. Era meio difícil respirar, e se eu precisasse respirar fundo meu vestido certamente acabaria com um buraco.
  Coloquei minha sandália, baguncei mais meus cachos, e fiquei esperando, andando de um lado pro outro, tentando aprender a andar com um salto daquele tamanho. Quase caí algumas vezes, mas não podia demonstrar emoção nenhuma como gritar ou dar um suspiro longo.
  Ele chegou e corri pra porta, com o coração na boca pensando:finalmente finalmente finalmente!
  - E aí gata-ele me recebeu abrindo a porta do carro e me dando um beijo super longo.
  No caminho trocamos vários carinhos (até senti meu vestido levantando uma hora, mas eu resolvi fazer um mistério e delicadamente tirei a mão dele da minha perna)
  Chegamos na festa (não de mãos dadas claro, ele disse que como éramos universitários tínhamos que deixar os costumes da escola pra trás (e segundo ele andar de mãos dadas era coisa de criança). Conheci os amigos dele, e enquanto ele buscava algo pra beber, eu procurava me enturmar com meus futuros colegas, que pensavam que eram atuais colegas.
  Alguns perguntavam qual curso eu fazia, e logo que eu mentia e dizia -Jornalismo!- alguns respondiam -EU TAMBÉM! Você não acha dificil aquela parte da materia que diz que....
  -Er, olha, muito bom falar com voce, mas eu tenho que ir...-e continuava meu caminho entre a multidão animada... e meio bêbada, admito.
  Fê voltou com dois copos (que na minha cabeça pareciam mini baldes) com canudinhos coloridos.
  -Sex on the Beach...engraçado o nome não?- ele piscou pra mim e passou os lábios pelo meu pescoço (ooh Jesus, tenha piedade de mim, afaste esses pensamentos de pessoas impuras que passam pela minha cabeça)
  -Hehehe...m..m..muito engraçado mesmo-fechei os olhos e senti o copo balançando na minha mão, prestes a cair.
  -Você não quer... ir pra algum lugar mais... calmo?- a voz dele era tão sexy, MEU DEUS!
  Meu coração disparou, meus joelhos pareciam não responder aos meus comandos e parecia que eu iria desmaiar a qualquer hora. Dei um gole enorme no copo, ignorando o canudo, tentando virar tudo e me sentir pronta o suficiente.
  Ele segurou minha mão, e foi me guiando até o segundo andar.
  No caminho, vi algumas pessoas caidas na escada, duas em especial me chamaram a atenção, uma garota, e um garoto, sentados lado a lado, de mãos dadas sentados na escada. Isso seria perfeitamente normal se não fosse por um detalhe: eles vomitaram juntos, e depois...deram um beijo profundo e delicioso. Isso devia ser amor, uma forma bem...estranha de demonstrar o amor.
  Tomei cuidado pra não escorregar em nada, nem em ninguém, e joguei meu copo pra trás:
  -AAII @#$%@$ me molharam-ops, o resto da minha bebida pousou na cabeça de alguém sentado na parede de olhos fechados.
  Abrimos algumas portas, e recebemos em troca alguns palavrões por termos atrapalhado algumas pessoas que tiveram a mesma ideia que nós.
  Os quartos estavam ocupados.- ótimo- pensei.
  -Acho que vamos ter que descer...-a decepção não estava me consumindo, e eu até me sentia bem. Mas tentei minha melhor voz de tristeza.- Que pena..
  -Não se preocupa gatinha, tenho um plano B.
  Ele me puxou com força em direção ao fim do corredor, abriu uma porta, a única aberta por sinal:
  -Chegamos...acomode-se.
  Olhei em volta, imaginei se estava alterada por causa do alcool, não era possível. Ele não faria uma coisa dessas, nós estávamos em um...
  -Um banheiro! -eu disse com um sorriso de espanto. E era um banheiro MINUSCULO. a pia ficava loga na frente da porta. Não sei como caberia duas pessoas.
  -Isso. Tivemos sorte de achar esse lugar disponível, geralmente ele é bem disputado nas festas. Mas é claro que você sabe disso.
  -Claro, todo mundo precisa fazer xixi as vezes.
  -HAHAHAHAH você é uma comédia D.
  -Er..Meu nome é R.
  -ops...falei sem querer.
  Me senti desconfortável com tudo aquilo, mas precisava fazer uma performance maravilhosa.
  Ele me segurou forte pela cintura, e por um momento achei que havia aberto uma fenda no meu vestido. Puxou meu cabelo pra trás e começou a beijar meu pescoço fazendo barulhos estranhos com a boca. Ele mordia meu pescoço com um pouco mais de força do que a necessária, e eu estava lá, calada, sem saber o que fazer.
  Fê me pegou no colo, com as minhas pernas entrelaçadas em sua cintura e me colocou sentada na bancada da pia.
 -por favor, não rasgue, por favor não rasgue- pedia mentalmente imaginando como seria constrangedor chegar em casa com meu vestido faltando pedaços.
 Comecei a tentar imitar os movimentos que Fê fazia, se ele beijasse meu pescoço, eu beijava o dele, se ele puxasse meu cabelo, eu puxava o dele.
  Fê começou a passar as mãos pelas minhas pernas, e ficava cada vez mais difícil respirar devagar, e inspirar pouco ar, um pouco menos que o necessário.
  Comecei a sentir calor, e ele sussurrava no meu ouvido algumas coisas que até hoje não entendo o significado.
 O clima estava começando a esquentar, e aquele sex on the beach começou a fazer efeito.
  Alguns barulhos constrangedores saíam da pia, como se alguma coisa estivesse solta, mas aquilo era o que menos importava naquele momento.
  Na hora que Fê puxou meu cabelo pela terceira vez, um grito involuntário saiu da minha boca:
  -AAAAAAAAAAAAAI
  -AI MEU DEUS- ele parecia desesperado -Me desculpa, meu relógio ficou preso no seu cabelo, espera, fica calma já vou tirar. Droga, tomara que não tenha quebrado nada.
  -Não se preocupe, acho que está tudo bem. Náo doeu tanto -Disse quase chorando
  -Eu estou falando do meu relógio. Agora respire fundo que eu vou ter que puxar - Depois de muita força, o relógio dele se soltou do meu cabelo e levou junto algumas mechas. Segurei um segundo grito, mas a força da minha respiração me fez ouvir um barulho desagradável
 -AI MEU DEUS- gritei.
 Ele olhou assustado pra faixa de pele que ficava evidente, cada vez maior. Meu vestido rasgou do lado, e por um lado foi muito aliviante poder respirar normalmente.
 Contrário a todas as minha expectativas, ele sorriu com malícia e falou:
  -que bom que você facilitou meu trabalho, hehehe.
  Ele me puxou com mais força contra seu corpo, passa a mão nas minhas costas com força. Eu não podia negar que adorava aquilo tudo então resolvi retribuir. Comecei a puxar ele, e me apertar em seu peitoral. Nossos beijos ficavam cada vez mais intensos. Meus suspiros fizeram meu vestido rasgar mais e cair. Como se fizesse parte do meu show, puxei a camiseta dele com muita força, o que o fez bater as costas na porta.
 Continuamos e meu vestido ja estava no chão, e eu me achava maravilhosa com aquela calcinha de bolinhas.
 De repente, senti algo molhado em minhas costas. Olhei pra trás e parecia que a torneira estava um pouco aberta, mas a agua saía do caninho e vinha pra cima. Tentei fechar com força e a pia parou de soltar esses jatos indesejáveis.
  Me virei de volta e ele com um movimento brusco arrebentou o fecho do meu sutiã. QUE GROSSERIA! pensei. Ia chegar em casa como se tivesse acabado de ser assaltada, mas não tineha tempo de pensar nisso numa hora daquelas! Eu estava prestes a me tornar uma universitária completa.
 Ele começou a descer, beijando minha barriga, descendo descendo...
 Comecei a ouvir um barulho mais esquisito, como se alguma coisa estivesse enchendo, quase transbordando.
 Ele continuou seu percurso pelo meu corpo, beijando minhas coxas...
 O barulho aumentava, e parecia que eme algum lugar uma pressão muito grande estava sendo feita, e eu não fazia ideia do que era.
 Fê chegou no meu joelho, dando mordidinhas em volta dele.
 De repente, CREC. Ouvi um barulho pequeno de rachadura, e logo em seguida um barulho muito alto. A pia   demoronou atrás de mim, me arremessando pra frente.
 -AAAAAAAAAAAAAAI- meu joelho acertara o nariz de Fê. Fomos arremessados pra frente e a porta do banheiro quebrou com a pancada que demos. Fomos parar do lado de fora do banheiro, com a água começando a invadir o corredor e Fê com o nariz sangrando.
 Meu vestido ficara enterrado nos destroços da pia e eu não tinha ideia do que fazer.
 As pessoas no corredor nos olhavam, umas aterorizadas, outras riam muito.
 Levantei num pulo procurando minhas roupas, e tudo que achei foi meu vestido encharcado.
 Fê já estava de pé e olhava pra cima falando palavrões horríveis procurando algo para estancar o sangue.
 Ao entrar no banheiro escorreguei e fiquei molhada da cabeça aos pés.
  A água já invadira o corredor e eu pedia desculpas desesperadamente pelo nariz quebrado de Fê.
  O dono da festa apareceu, e com vários gritos nos expulsou da casa.
  Sentei no meio fio, segurando meu sutiã, com meu coração em frangalhos, morrendo de vergonha e disse:  
   -Ai, acho que agora somos só nós dois, senta aqui deixa eu te aju...
  Mas antes que eu pudesse terminar a frase, Fê foi embora, andando, de cueca, com a camiseta tampando o nariz, falando palavrões abafados.
  Torci meu cabelo molhado, e meu sutiã igualmente ensopado, peguei minhas sandálias na mão, suspirei e comecei a andar. Seria um caminho longo até em casa.
  Minha quase primeira vez foi uma desgraça. Acho que da proxima vez, se todos os quartos estiverem ocupados eu não vou lutar contra as forças da natureza e me enfiar em um cubiculo de banheiro. Aquela não era a hora certa, e eu precisei quebrar uma pia e um nariz pra perceber isso.
  Dei uma risadinha lembrando de tudo e continuei meu caminho pra casa, pensando em uma desculpa muito boa para meus pais.
  Posso riscar Gatinhos da faculdade da minha lista. todos eles só pensam em uma coisa mesmo. Ou talvez eu não risque, já que um deles me convidou pra sair semana que vem.


        Ass:
 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Passa a bola pra lá.

  Acordei sábado de manhã vibrando, preparada e certa de que aquele dia seria maravilhoso. Era o dia da formatura. Eu finalmente sairia do Ensino Médio (e me livraria do pão de queijo laranja da escola iupiii (: ). Levantei 6 da manhã e não conseguia conter minha emoção, aquele dia seria ótimo, todo feito pra relaxar, tomar sidra de maçã (que seria convertido em suco de laranja se minha mãe soubesse que de fato havia alcool além de gás e suco de maçã), depilar, fazer as unhas do pé (coitada de quem tivesse que encostar no meu casco de tartaruga) arrumar meu cabelo, e o melhor, com as minhas amigas!.
  Olhei meu tarô e meu horóscopo e tudo indicava que meu dia seria ótimo e que o amor da minha vida estava a caminho (não sabia porque mas tive a impressão de já ter lido isso umas 5 ou 6 ou 500 vezes).
  O principal motivo da minha empolgação chamava André. Ele teve a sorte de ser nomeado amor da minha vida justo na semana da formatura, enão não podia decepcioná-lo.
  Ele era maravilhoso, nem alto nem baixo, nem magro nem gordo, nem loiro nem moreno, ele era ÚNICO!
Já tinha planejado tudo, desde o nosso primeiro beijo até o que seria escrito em nosso túmulo quando morressemos juntos e fossemos enterrados na mesma cova, eu por cima logicamente por vários motivos. ''nem a morte nos separa''.
  Esperei até as 9 pra sair da cama e esperar minhas amigas chegarem.
  Ouvi a buzina do carro de uma delas enquanto tomava café e saí correndo dando saltinhos e imaginando meus soluços quando ficasse bêbada de sidra.
  Passamos o dia inteiro fofocando e planejando meu casamento com meu lover. Talvez eu estivesse sendo meio preciptada...ah que nada, era bom planejar pra não ter surpresas desagradáveis.
  Cheguei em casa rindo à toa e me arrumei com uma velocidade considerável. Esperei minha mãe ficar pronta (o que levou algumas horas a menos que eu). Meu pai e meus irmãos já haviam saído depois de 2 horas implorando pra terminarmos logo. Cada vez que ouvia ele mencionar a hora um palavrão passava pela minha cabeça, mas eu, sendo uma boa filha, apenas fazia um gestinho obsceno pro espelho e tentava fazer uma voz rouca e de homem junto com uma careta repetindo os horários que ele falava ''9 e meia R., anda R, 9 e 31 R. 9 e 32 R.''
  Entrei no salão e a primeira coisa que fiz foi procurar meu alvo. Ele não devia estar longe.
  Fui surpreendida por 3 meninas da minha sala me entregando copos com...alguma coisa alcoolica (que eu percebi depois que minha lingua começou a ficar dormente). Fomos pra pista de dança e minha cabeça girava de um lado pro outro procurando meu noivo imaginário.
  O encontrei dançando com os amigos que pareciam simpáticos e depois de mais 2 copos criei coragem e mandei um olhar sedutor (logo depois uma das meninas me perguntou se havia caído um cisco no meu olho, mas eu não liguei, sabia que era sexy).
 André deu uma olhadinha, virou e deu uma risadinha com os amigos. Eu e minha auto-confiança enorme resaolvi me aproximar e falar um oi.
  Esperei ele ir ao banheiro e fiquei esperando de prontidão na porta.
 Quando vi sua grava borboleta aparecer dei um pulo na sua frente, e com um sorriso (menos ameaçador que o sorriso que mandara pros últimos) me coloquei de frente com ele e fiquei lá, esperando um contato verbal.
  -Er...posso ajudar? -ele perguntou. OUN ele parecia tão fofo, e tão gentil, achou que eu estivesse com problemas. E ele lavava as mãos depois de usar o banheiro. Ele passava a mão na calça pra secá-la. Que gracinha.
 -Pode. Pode começar me pagando um drink. -Pisquei os olhos e mexi a cabeça como se estivesse com vergonha, encolhendo-a e olhando para baixo.
  -Ahm...T..tá bom, mas aqui nao tem drinks.
  -oh...ok, então pode me pagar uma cerveja.
  -Eu.. não tenho dinheiro e tenho que...-Tadinho, vai ver ele ficou sem graça por nao ter dinheiro. Resolvi me mostrar uma garota independente e antes que ele pudesse terminar a frase eu sugeri:
  -Nãao não, tudo bem, eu pago.
  -Ah..então...ta bom...
  Meu coração quase não aguentava de emoção, e achava que a qualquer hora ele poderia explodir.
  Sentamos nos banquinhos do bar e pedi duas cervejas.
  -Então.. me conta mais de você- coloquei minha mão sobre sua perna e imaginei coisas muito, MUITO erradas.
  -Eu... Bom... André, 18 anos, formando -e deu um sorrisinho sem graça- time de futebol da escola, mas isso você já deve ter notado pelo físico- ele esticou os braços e os dobrou fazendo força pra mostrar os músculos. Isso me fez pirar e quase cair da cadeira. Ele ERA o amor da minha vida.- Odeio quem odeia futebol.
  -Eu gosto de futebol - completei.
  -Parabéns. Enfim, sou de Virgem, mas de virgem eu não tenho nada -ele fez uma pausa para um longo arroto. Me apaixonei mais ainda, primeiro, ele era um cara experiente, segundo acreditava em horóscopo, e terceiro, ele achava que tinha intimidade o suficiente para produzir barulhos estranhos na minha frente!!!
  -Eu fico puto quando encontro garotas burras.
  -Ah eu também, aliás você já leu aquele último livro do..
  -Quer dizer, que garota no MUNDO não sabe qual é a regra do impedimento? Fala sério, toda garota devia ter um manual de futebol, elas esperam que nós expliquemos tudo, NO MEIO DE UM JOGO! -Outro arroto.
  Estava fascinada! Além de tudo ele era..inteligente.Quis mostrar que eu era uma garota a altura e comecei
  -Bom, eu sou de peixes o que diz muito, 18 anos, me formando, e procurando o amor da m...
  -Po, eu vou ali nos meus amigos, mas fica aí que eu já volto e você continua me contando.
  Antes que eu pudesse falar alguma coisa ele se levantou e sumiu na multidão. Esperei alguns minutos (45 pra falar a verdade) e  pensei que talvez ele tivesse esquecido de me encontrar. Que bonitinho, além de legal ele era esquecidinho. Um charme.
  Voltei pra pista com uma certa dificuldade de andar, encontrei meu grupinho e o procurei de novo.
  Ele passou do meu lado, pude sentir pelo perfume e sussurrou no meu ouvido:
  -Na entrada dos fundos, em 5 minutos.
  Meu coração parou!!!! IA ACONTECER, EU IA BEIJAR O AMOR DA MINHA VIDA FINALMENTE!!!
  Fiquei olhando meu relógio e quando o ponteiro dos segundos parrou pelo 12 pela 5 vez saí correndo.
  Ele estava parado na parede me esperando. Encostei ao seu lado e estava pronta pra declarar todo meu amor guardado por anos (ou dias... 7 pra falar a verdade)
  -Como é seu nome mesmo?
  -R. -Falei tremendo
  -R. então eu queria...
  Não me conti e o interrompi.
  -Eu sei eu sei, eu também quero! Percebi que nós tinhamos uma ligação desde a hora que começamos a conversar! Eu nunca estive tão apaixonada! E sei que é recíproco! Já imaginei como serão nossos filhos! Você pensa nisso? e no nosso casamento? Temos que começar a olhar tudo desde já porque sabe como é, o preço das passagens pra Bora Bora vão aumentar então é claro que se começarmos agora...
  Ele olhava pro lado como se estivesse pensando, que lindo, tinha vergonha de olhar nos meus olhos. E o jeito que mascava aquele chiclete... Me deixava louca!
  -Por isso eu não me declarei antes, fiquei com medo de você não corresponder, mas eu sei que é verdadeiro agora, EU TE AMO!
   Silêncio.
   Silêncio.
  -André?
  -Ah sim - disse ele olhando pra mim como se tivesse acabado de acordar -Claro, posso sim te arrumar ingressos pro jogo de quinta. Agora, eu queria saber, qual é o nome daquela sua amiga filé? Nossa ela é uma delícia, será que rola de você me apresentar pra ela? Muuuito gata.
  Fiquei ali parada. Olhando pro nada. Minha amiga. MINHA MALDITA AMIGA. Depois de uma declaração daquele tamanho ele me pede pra apresenta-lo pra MINHA AMIGA? QUAL ERA O PROBLEMA DAQUELE CANALHA?
  Minha mão foi de encontro ao peito dele, em forma de porrada, e logo depois me virei pra ir embora.
  -Muito bem! Só precisa de mais força e em breve voce poderá fazer parte do time feminino.
  Virei as costas sentindo a cabeça esquentando e girando
  -Prazer conhecer você J.!
  Voltei na tentativa de argumentar e falar algumas palavras censuráveis, levantei o dedo e abri a boca, mas desisti pensando que seria em vão.
  Fui pra fora da festa, sentei no meio fio, tirei minha sandália, soltei meu cabelo e fiquei olhando pra frente. Eu não tava triste, não tava com raiva, não sentia nada.
  Descobri que jogadores de futebol só amam uma coisa, a bola. Ok, talvez duas, a bola, e a si mesmos. Droga, tive que cortar jogadores de futebol da minha lista. Que pena, são todos tão gatinhos...