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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cibernétic...a (?)

-Pronto, agora é só apertar ok e... ótimo.
Sabe, todo mundo já deve ter passado por uma época de desespero em encontrar o príncipe maravilhoso, aquele gato sarado, loiro ou moreno, super, mas suuuuuuuper sensual. E eu, claro, estava passando por uma fase daquelas.
Apertei o botão de confirmar, consolidando minha inscrição no site de relacionamento que prometia achar meu par perfeito do jeito que eu queria. Moreno, alto, sorriso sexy, dentes brilhantes. Quase não me aguentava de felicidade, eu estava a apenas alguns cliques do altar!
Já me imaginava de branco linda e maravilhosa, minha Lua de Mel em Bora Bora, nossos 4 filhos correndo pelo jardim com nossos 3 cachorros. O bolo de carne na hora do jantar.
Esperei alguns minutos até que recebi uma mensagem de um tal de Thales.
Pulei na cadeira na hora e gritei pra mim mesma: CASAMENTO AÍ VOU EU!
Começamos a conversar, e a cada minuto meu príncipe se tornava mais e mais real. Ficamos a noite inteira falando sobre musica, casas, nomes, cachorro quente, dor de estomago, e descobri até que ele gostava do mesmo aroma de talco pra pé que eu!
Passamos dias naquela conversa maravilhosa, virando noites e noites, e o Thales...aah o Thales, só o nome dele (que ahm.. é meio feio por sinal) já fazia meu coração palpitar.
Um dia cheguei da escola correndo tirando o tenis e as meias furadas e sentei a espera do meu suposto amado.
'finalmente você apareceu, já nao aguentava mais esperar'
'oun seu fofo, por que voce nao me ligou?'
'Vou ligar mais tarde, escrevi uma carta pra você e quero que você escute (:'
Esperei até ele me ligar e me contar o que de tão interessante tinha na carta. Era uma declaração maravilhosa que achava que homem algum seria capaz de escrever. Com um monte de eu te amo e planos para o futuro, eu já estava apaixonada sem nem mesmo conhece-lo. Achei que deveria marcar um encontro, lógico, só faltava isso pra tudo aquilo virar um namoro sério, firme, maravilhoso.
Liguei pra ele e pedi com toda a empolgação do mundo pra nos vermos. Não sei não, mas parecia que ele não fazia muita questão disso, mas eu, insistente, ordenei (implorei), mandei (quase precisei chorar) ele me encontrar no shopping no dia seguinte. Totalmente contrariado  ele aceitou, claro.
Passei o dia inteiro me arrumando, depilei as pernas, fiz escova no cabelo, depilei até meu bigodinho (que eu carinhosamente chamo de penugem). Tudo estava perfeito!
Cheguei no lugar marcado, meu coração pulava de emoção e de medo. Mal podia esperar pro meu amado aparecer no seu cavalo branco (ou em uma bicicleta) vestido de principe (ou de bermuda e chinelo) me agarrar e me dar um beijo de filme.
Esperei meia hora. Esperei uma hora. Esperei uma hora e meia, e a única pessoa por perto era uma garota que não parava de me olhar me achando patética por sacudir tantos as pernas de nervoso.
De repente a garota sumiu, e meu tédio já quase me consumia quando eu senti aquelas mãos fecharem meus olhos, meu coração saltando de felicidade, minhas mãos geladas tocaram as dele, e eu falei ainda de olhos fechados:
-Thales?
Ele não respondeu. Tímido, que gracinha. Tentei tirar a mão dele dos meus olhos para poder abraça-lo, mas ele fazia força pra nao soltar.
De repente, fiz uma força que nao sabia que existia em mim e num impulso o puxei para um abraço sem nem ao menos olhar seu rosto.
Foi aí que senti alguma coisa estranhha me prensando na parte do seu peitoral. Alguma coisa protuberante, que não deveria estar ali, alguma coisa não. Duas coisas. E aí percebi que seu cabelo era maior do que o da foto que havia me mostrado, bem mais longo na verdade, e que seu perfume era doce como perfume de...
-MULHER? -gritei, arregalando os olhos enquanto olhava para aquela figura à minha frente. Era a menina que estava sentada do meu lado.
-Er...surpresa -E ela deu um sorriso de orelha a orelha me puxando para dar outro abraço.
-V..Você é o...
-Thales, é sou eu. Um pouco diferente do que você imaginava não é? Mas eu sei que nosso amor é verdadeiro! Eu sou o Thales, eu sou o seu Thales!
Não sabia o que fazia, se chorava, se gritava, se corria. Thales era na verdade A THALES, e eu nem sabia qual era o nome verdadeiro daquela anfitriã da festa do inferno.
Respirei fundo dez vezes enquanto ainda escutava o discurso dela
-...Porque eu tive medo de você me rejeitar, eu te amei desde o primeiro momento que eu te vi, e nada poderia mudar. Eu te...
Antes que ela pudesse terminar a frase, meus nervos subiram e em dois segundos depois o dente da frente daquela destruidora de corações estava rolando pelo chão, junto com a minha esperança de arrumar um namorado.
Virei as costas e fui pra casa. No mesmo dia apaguei todos os perfis nos sites de relacionamento que tinha. TODOS. Da próxima vez vou querer conferir o produto antes de comprar.



Ass:

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Amor COM escalas.

     ''Entra nesse avião. ANDA, entra que vai dar tudo certo'' Pensei naquela viagem pelo menos por 2 horas antes de decidir colocar os pés dentro daquele avião.
     Tomei mais 2 comprimidos do meu calmante natural que mais funcionava, amarrei o cadarço do all star de oncinha e me despedi cruelmente da vida. Ok, era uma viagem de 2 horas, as piores duas horas da minha vida eu diria. Seria melhor passar 7 horas dentro de um carro. Mas tendo em vista que no auge dos meus 16 anos, o único carro que eu poderia dirigir era o de controle remoto do meu irmão.
    Era a primeira vez que eu pegava um avião SO-ZI-NHA. Eu sei, e sei, como meus pais tiveram CORAGEM de deixar uma pobre garotinha viajar sozinha pra visitar os avós?
      Sentei na minha fileira, procurei a saída de emergência mais próxima, apertei o cinto e comecei a praticar minha iôga relaxante, tentando pensar em coisas felizes.
     'É, sorvete, sorvete é uma coisa bem feliz, quer dizer, é gelado e.. eu daria tudo pra estar na sorveteria, e não nesse inferno com asas''
     Estava quase na hora de o avião decolar, e as portas já estavam quase sendo fechadas.
    'Ótimo' pensei 'Pelo menos eu tenho essa fileira toda pra mim'.
     Fechei os olhos e comecei a cantar alguma coisa, sem perceber, alto demais.
     -Er.. Com licença...- Fui interrompida por uma voz angelical vinda do corredor.
     Olhei e com a voz trêmula disse:
    -Er...sim?
    -Acho que esse é meu lugar...
    Olhei meu bilhete mais uma vez. Não, eu era ali mesmo, na janela, e dali ninguém me tirava.
   -Acho que você é no assento do meio - Dei um sorriso falso e continuei olhando pra frente, tensa, MUITO tensa.
    -Ah, sim, claro. - Ele deu um sorriso de orelha a orelha.
    Quando a decolagem autorizada foi anunciada, um pânico intenso tomou conta de mim. Tomei mais um comprimido. Comecei a fazer uma oração mental, implorando pra não morrer.
   'Meu Deus, por favor, eu prometo que se eu não morrer eu não vou...''
   -Então, como é seu nome? - A essa altura o avião já andava, e eu suava frio, se o avião não me matasse, meu medo provavelmente iria.
    -É... é... R. - Falei apertando os apoios para braço dos assentos.
    -O meu é Edu.- A voz dele era tão calma, que minha vontade era perguntar se ele estava feliz de ir morrer.
     O avião começou a subir e a cada sacudida minhas mãos esmagavam involuntariamente o apoio de braço.
    -V..Você está bem? - Ele me olhou assustado.
     -Claro... Claro.. Por que não estaria?
     Ele apontou para minha mão, e seus dedos estavam esmagados entre os meus, com as pontas roxas. Arregalei os ohos e soltei rápido quase implorando perdão.
     A primeira hora passou rápido e por alguns momentos ele até conseguiu me distrair, tomei mais uns comprimidos que não estavam funcionando. Uns 5 eu diria. O serviço de bordo chegou e Edu me ajudou a segurar o copo de suco de laranja que não parava de tremer nas minhas mãos. Comi com tanta pressa que assim que terminei, ele ainda comia as torradinhas de aperitivo.
     -Melhor?
     Fiz que sim com a cabeça, e até consegui soltar um sorriso, o meu pesadelo nem era tão ruim assim, afinal, estava conseguindo me distrair e não pensar naquela altura desgraçada, nem no peso do avião que poderia cair e me esmagar como uma mosca.
    De repente, o aviso de atar cintos se acendeu e o serviço parou, o comandante anunciou que iríamos passar por uma área de 'instabilidade'. Meu coração saltou, me agarrei ao apoio novamente e comecei a rezar. Começamos a sacudir, e eu me sentia dentro de um triturador.
    Numa tentativa desesperada de implorar pela vida comecei a gritar.
''MEU DEUS POR FAVOR, EU PROMETO QUE VOU COMEÇAR A IR À MISSA TODOS OS DOMINGOS, E VOU REZAR TODOS OS DIAS E ME CONFESSAR, MAS POR FAVOR NÃO DEIXA ESSE AVIÃO CAIR. EU PROMETO QUE NUNCA MAIS VOU MENTIR, E DIZER PRA MINHA MÃE ADOOREI ESSA BLUSA DE TRICÔT QUE VOCÊ FEZ PRA MIM, E DEPOIS DIZER QUE EU PERDI, NUNCA MAIS VOU COMPRAR SUTIÃ TAMANHO 44 E ENCHER COM UM PAR DE MEIAS, NUNCA MAIS VOU COMPRAR UMA CALÇA TAMANHO 38 E CORTAR A ETIQUETA DIZENDO PARA TODO MUNDO QUE É 36, E NUNCA MAIS, NUNCA MAIS MESMO, EU VOU COLAR NA PROVA DE BIOLOGIA...'' e aí o avião deu uma tremida mais forte ''OK EM QUALQUER PROVA, MAS POR FAVOR MEU DEUS, POR FAVORZINHO''
     Nessa hora lágrimas já rolavam pelo meu rosto meu coração saltava, e não conseguia achar meus comprimidos pelo chão.
     Edu me abraçou tentando me acalmar, ou tentando me fazer parar com o show, o que não adiantou, continuei numa tentativa frustrada:
   - EU NUNCA MAIS VOU OLHAR PARA A BUNDA DE NENHUM GAROTO EM UM AVIÃO, NUNCA MAIS VOU BEIJAR MAIS DE UM GAROTO POR MÊS, EU POSSO VIRAR FREIRA MEU DEUS, POSSO SIM! PROMETO NAO COMER SOBREMESA ANTES DO JANTAR, PROMETO NÃO TENTAR MAIS PASSAR MINHA ASMA PRO MEU JABUTI EMBAIXO DA CAMA, NEM JOGAR PAPEL DE BALINHA NO MEU ESTOJO, PROMETO QUE NUNCA MAIS VISTO UMA CALCINHA FIO-DENTAL PRA ME MOSTRAR PRO PROFESSOR, E PROMETO QUE NUNCA MAIS TENTO FICAR COM ALGUÉM EM UM AVIÃO...''
   Quando me dei conta, Edu olhava com vontade de rir.
   -O QUE QUE É? Você acha engraçado? estamos indo morrer, MORRER EDU!
  -R... É verdade? Que você está tentando..
   -Não acredito, NÃO ACREDITO, MEU DEUS POR FA...
  -A Turbulência acabou...
   -VOR EU PROMETO QUE NUNCA MAIS EU VOU... O que?- Levantei a cabeça e olhei ao meu redor, todos olhavam, alguns rindo, outros com raiva, tinha virado a atração principal do vôo.
   Afundei minha cabeça no banco, sentindo uma pontada na boca do estômago, minha cabeça girava e a única coisa que eu queria era um buraco pra me esconder.
   Edu me olhou de novo, meus olhos estavam pesando, e minha cabeça parecia que ia cair.
   -Então, é verdade?- Ele segurou meu rosto e olhou dentro dos meus olhos.
   Não conseguia responder, meu estômago estava querendo saltar, não devia ter tomado tantos comprimidos, nem comido tão rápido.
  Ele foi se aproximando e fechando os olhos.
  -Edu.. eu... - Minhas mãos começaram a suar frio, minha barriga fazia uma força involuntária.
   Ele se aproximou mais, e nossos lábios estavam quase se tocando.
   'Essa não, por favor não, não agora...'
   Mas era tarde demais, tentei falar alguma coisa, mas antes que pudesse dizer qualquer palavra, minha cabeça se inclinou no colo dele e tudo que havia comido, em alguns segundos estava em cima da calça branca de Edu. Achei que não ia conseguir parar.
   A única coisa que consegui ouvir foi Edu gritando um palavrão e depois dormi como um anjo.
   A comissária me acordou e minha cabeça ainda doía. Eu era a última passageira no avião e eles precisavam limpar a cabine.
   Levantei completamente desnorteada, peguei minhas coisas, e o gosto azedo de suco de laranja com torrada e geleia ainda estava na minha boca.
   Peguei minhas malas, e vi Edu de longe com a calça manchada e uma cara de emburrado. Me escondi no meio de todos e saí de fininho para encontrar meus avós.
   -R.! - Minha avó me abraçou, a ainda sentia meu estomago doer. - Como foi a viagem?
   Olhei para trás e o vi vindo na direção da porta do desembarque, dei um sorriso e em troca recebi um gesto bem.. obceno.
  -Foi.. interessante.
  Naquele dia, descobri que concerteza, nunca vou achar um namorado durante um vôo. Mas tudo bem, tem milhares de formas seguras que não envolvam altura de se achar alguém. Posso riscar aviões da minha lista.
  Ou posso riscar comprimidos, não sei, tenho bastante tempo pra pensar.


Ass:

Diário superpúblico da R.

   Ahm.. Acho que precisava começar a fazer isso, pra... Compartilhar minhas experiências frustradas.
   Comecei um projeto de ''ache um namorado pra mim mesma'' e me coloquei nas melhores e piores situações pra achar alguém, e sabe, eu descobri que.. Eu devo ser a pessoa com menos sorte do mundo nesses assuntos, sei lá, eu decidi que deveria escrever sobre só pra me lembrar todos os dias das minhas frustrações no amor. Não são poucas, nem são MUUUUUUUUITAS também porque ninguém merece, eu tenho um certo charme também ok? Então eu resolvi, eu vou achar um namorado, custe o que custar, e eu tenho uma lista bem grandinha até de lugares em potencial pra achar a tampa da minha panela. Só tomara que não demore muito. Torçam por mim (: Preciso provar pra mim mesma que não sou em desastre completo como eu pensava. Eu só sou... ahm.. diferente (:  E ser diferente deve ser bom. Agora vou poder riscar da minha lista cada lugar que não funcionar pra mim. E vai ser ótimo dividir isso com alguém. Me desejem sorte (yn)
Assinado